(Ilustração:
Claudio Seto | Foto: Reprodução)
Raichô,
pseudônimo de Haru, destacou-se na história do Japão
por ser uma das precursoras do movimento feminista. Terceira filha de
um alto funcionario do governo, Raichô formou-se na Universidade
Nihon em 1906. Estudou ainda na Escola Feminina de Inglês Seibi,
participando do círculo literário Keishi bungaku-kai,
criado por Ikuda Chôkô, discípulo de Natsume Soseki,
um grande escritor da Era Meiji. Sob orientação da poetisa
Yosano Akiko e do escritor Morita Sôhei, ela compôs poemas
japoneses tanka e escreveu alguns contos.
Escândalo
Em 1908, aos
22 anos, Raichô provocou um grande escândalo ao tentar se
suidar com Morita Sôhei, em um pacto de morte malsucedido. A polêmica
provocada por uma moça bem-nascida da alta sociedade foi amplamente
noticiada nos jornais da época. Mais tarde, Morita Sôhei
escreveu um romance intitulado Baien (A fumaça), tendo como tema
o episódio vivenciado por ele e Raichô. A própria
Raichô também tratou desse episódio numa de suas obras
literárias, provocando um tumultuado sensacionalismo e também
criando a imagem de uma nova mulher atrelada ao escândalo.
Após
isso, Raichô passou a ser conhecida como engajada do movimento feminista,
criando a revista Seitô (meias azuis) em 1911. Ela escreveu na edição
inaugural o artigo intitulado Genshi josei wa taiyô de atta (A mulher
primitiva era o Sol), no qual diz: Na era primitiva, a mulher era
realmente o Sol. Atualmente, a mulher não passa de Lua. Vive impulsionada
por outros, iluminada pela luz de terceiros e mostrando a face pálida
de um enfermo. A famosa capa da revista foi desenhada por Naganuma
Chieko, que se casou mais tarde com o poeta Takamura Kôtaro, autor
da conhecida antologia de poemas Chieko-shô.
 |
|
Quem
foi Hiratsuka Raichô
Personalidade: uma das precursoras do movimento feminista
no Japão
Nascimento:
Fevereiro de 1886
Local:
Tóquio
Morte:
em 1971, aos 85 anos
|
A revista foi
criada para publicar obras literárias escritas por mulheres. Porém,
logo adquiriu característica de revista feminista, liderando o
movimento para libertar as mulheres do jugo masculino e conquistar maiores
direitos na sociedade.
Em 1914, Raichô
passou a morar com o pintor Okumura Hiroshi, cinco anos mais novo. Ela
recusou o matrimônio legal, registrando os filhos uma filha
e um filho no seu koseki (registro de família). Nesse mesmo
ano, ou seja, em 1914, Raichô cedeu os direitos de publicação
da revista Seitô para Itô Noe. A revista deixou de ser publicada
em 1916.
Polêmica
sobre proteção à maternidade
Em 1918, Raichô
e seu grupo travaram uma grande polêmica com a já famosa
poetisa Yosano Akiko sobre a proteção da mulher no período
de gravidez. Akiko defendia a tese de que o fato de a mulher adquirir
técnica profissionalizante para poder se sustentar era a base para
garantir sua liberdade e independência. Pedir proteção
ao governo durante o período de gravidez, como ocorre entre as
feministas do Ocidente, é se igualar ao idiosos e incapacitados,
que ficam abrigados nos asilos do governo.
Tal idéia
era repudiada e contestada por Raichô e seu grupo, que afirmavam
que o fato de lutar por independência econômica das mulheres
e pedir garantia durante o período de gravidez ao governo não
se tratava de princípio de dependência. Na então conjuntura,
era impossível a mulher tornar-se independente financeiramente
sem fomentar o ensino profissionalizante, a ampliação da
área de atuação no campo profissional e o aumento
de salário para mulheres.
|