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Belém: capital da fé

Em outubro acontece o Círio de Nazaré que reúne mais de dois milhões de fiéis em romaria de barcos e procissão. A festa também tem seu lado profano com músicas e comidas típicas

 

(Arquivo NB)

Em 1791, o então presidente da província do Pará, Capitão-mor Dom Francisco de Souza Coutinho, comunicou aos moradores da região que pretendia organizar uma feira dois anos depois. Em junho de 1793, porém, uma inesperada doença colocou seu plano em risco. Temendo pelo fracasso do evento, Coutinho fez uma promessa: se conseguisse se recuperar a tempo, levaria a imagem de Nossa Senhora de Nazaré até o Palácio do Governo e, de lá, até uma pequena igreja local. Pedido feito, pedido atendido. E como bom devoto, em 8 de setembro daquele ano cumpriu a promessa. Naquela quarta-feira acontecia o 1º Círio de Nazaré.

Um dos maiores eventos religiosos do Brasil, famoso pelas velas e pela corda de 400 metros carregada pelos peregrinos, a Festa da Rainha da Amazônia reúne anualmente em Belém, no segundo domingo de outubro, mais de dois milhões de fiéis. Desses, metade são turistas. Pessoas de todos as idades percorrem os 4,5 km da grande procissão – realizada na manhã de domingo -, entre a Catedral da Sé e a Basílica de Nazaré. Na chegada, é rezada uma missa, durante a qual são feitos pedidos e agradecimentos à santa.

O Círio, no entanto, não se resume apenas à procissão dominical. Um dia antes, uma romaria fluvial que sai da Vila de Icoaraci conduz a imagem de Nossa Senhora até o porto de Belém. Há, ainda, o chamado lado profano do evento, com festas embaladas por música e comida típicas. O destaque fica para a “Festa da Chiquita”, realizada no centro de Belém. Nela, os fiéis se transformam em foliões, entregando-se à dança e à paquera.

Passada a diversão, no 4º domingo de outubro acontece o Recírio, quando a imagem de Nossa Senhora de Nazaré é levada em discreto cortejo à capela do Colégio Gentil Bittencourt, de onde saiu para a procissão do Círio

 

Coração da Amazônia


Feliz Lusitânia relembra a colonização portuguesa

A Cidade
Fundada em 12 de janeiro de 1616, a capital paraense reúne cultura e beleza em seus mais de 505 mil km² de área. De clima quente e úmido – com temperatura média de 25ºC -, registra alto índice de chuvas. Nem por isso deixa de ser visita obrigatória a quem viaja ao Norte do Brasil.

Para quem procura um pouco de história, uma boa pedida é passear pela Cidade Velha, o primeiro bairro da cidade. Lá, nota-se a herança da colonização portuguesa ao se observar a arquitetura de antigos casarões, igrejas e palacetes. No local também estão baseados a Igreja de Santo Alexandre e o Museu de Arte Sacra. Um pouco mais adiante situa-se o Theatro da Paz, construído em 1878 e reinaugurado no ano passado com suas ricas feições originais.


O Theatro da Paz foi construído em 1878

Além dos redutos históricos, Belém atrai por sua culinária. Com cheiros e sabores peculiares, a cozinha regional é uma das mais exóticas do País. Destaque para o pato no tucupi, o tacacá (caldo de mandioca) e a maniçoba, prato à base de folha de mandioca e carne de porco. Como sobremesa, os nacionalmente conhecidos açaí e cupuaçu, dois dos principais frutos cultivados no Pará.

Docas
Diversão e cultura estão atracadas na Estação das Docas, inaugurada no ano 2000. Transformada em pólo turístico, a área é formada por 33 pontos comerciais. Dividida em galpões, conta, entre outros atrativos, com quatro bulevares: o das Artes (galpão 1), o da Gastronomia (galpão 2), o de Feiras e Exposições (galpão 3) e no quarto funciona o terminal de passageiros do Amazon River, uma balsa de 671 m² projetada especialmente para a estação fluvial turística das Docas.


À noite a badalação acontece nas Docas


Praias de água doce. E com ondas


A Praia do Mosqueiro é uma das 27 da região

A menos de uma hora de carro de Belém, Mosqueiro também é conhecida por “Ilha do Amor”. Cercadas pela Baía do Guajará, as 27 praias da região sofrem influência das marés, o que provoca a formação de ondas.

Como quase todos os principais redutos turísticos de Belém, o local também tem importância histórica. Em função dos primeiros habitantes de Mosqueiro terem sido colonizadores portugueses, ainda no século XVIII, a catequização impôs casamentos interétnicos, entre europeus e índios. Daí surgiram alguns dos nomes das praias da região, como Chapéu Virado e Murubira (que significa homem forte), heranças portuguesa e indígena, respectivamente.


A maior feira livre da América Latina

Belém também figura como reduto da maior feira livre da América Latina. Trata-se do Ver-o-Peso, surgido em 1688 como um posto de fiscalização, tributos e pesagem dos produtos comercializados na região. Considerado cartão postal da cidade, o local é candidato ao título de patrimônio da humanidade.

Situado às margens da Baía de Guajará, o complexo compreende os Mercados de Ferro e de Carne, a Doca, as praças do Relógio e do Pescador, a Feira do Açaí, a Ladeira do Castelo – a primeira rua de Belém – e o Solar da Beira. Lá, são comercializadas ervas medicinais, raízes aromáticas e plantas ornamentais famosas por todo o País em função de seus atributos místicos e curativos.


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