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Especial Orquídeas- NippoBrasil
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A beleza de uma
JOIA VIVA
Orquídeas raras podem custar milhões
aos colecionadores
Flores variam de cor,
tamanho, formato
e preço
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(Texto:
Susy Murakami/NB | Fotos: Yoko Fujuno/NB e Kyodo)
A
beleza e a vivacidade das orquídeas fazem desta flor uma das mais
apreciadas no mundo. Ao todo, são mais de 35 mil espécies
naturais e aproximadamente a mesma quantidade de híbridas espalhados
pelos quatro cantos do planeta. No Brasil, estima-se em 3,2 mil o número
de orquídeas nativas, mas não há cálculos
sobre a quantia de plantas obtidas por meio de cruzamentos.
As
flores variam de cor, tamanho, formato e preço. Em orquidários,
as mais populares podem custar em torno de R$ 40. Entretanto, colecionadores
dispõem-se a desembolsar milhares em dinheiro por uma espécie
rara. Algumas peculiaridades, seja em espécies naturais, seja em
híbridas, despertam o interesse dos especialistas. Há inclusive
concursos sobre o assunto realizados em festivais internacionais. Um deles
acontece anualmente desde 1991 no Japão, atraindo 400 mil visitantes.
Em 2008, uma muda criada a partir de semente brasileira com 233 flores
ficou em 2º lugar. A primeira colocada foi uma de origem japonesa
de três metros de altura. Cores exóticas também podem
alavancar o valor de uma orquídea.
Mercado
A
orquídea envasada é a flor mais comercializada no Brasil.
As vendas ao consumidor final chegam a mais de R$ 150 milhões.
De modo geral, o crescimento do comércio de orquídeas acompanha
o ritmo do mercado de flores e plantas ornamentais, com crescimento de
8% a 9% ao ano. Os dados são da consultora Marcia da Silva Peetz,
da Hórtica Consultoria e Treinamento. Recentemente, a expansão
de mercado ocorreu em níveis até superiores a esses, especialmente
no caso das Phalaenopsis e da Cymbidium, diz.
Segundo
Antônio Hélio Junqueira, da mesma consultoria, a produção
comercial de orquídeas está concentrada em Holambra e Atibaia,
cidades do interior de São Paulo. Há também grandes
orquidários no Rio de Janeiro. Já produtores voltados para
o mercado de colecionadores estão em praticamente todos os Estados
do Brasil. Espírito Santo destaca-se nas vendas de mudas nativas.
Há
uma grande participação de descendentes de holandeses no
cultivo comercial da planta. Os de japoneses concentram-se em regiões
como Atibaia e Arujá. Em produção, os nipo-brasileiros
podem não representar a maioria, mas são certamente seus
maiores apreciadores. Os nipônicos são grandes amantes
das orquídeas e, entre orquidófilos e colecionadores, a
maior parte é de fato composta por descendentes de japoneses,
afirma Junqueira.
Um
exemplo de como esse mercado está em expansão é o
produtor Shitihiro Haga, fundador do Orquidário Oriental de Mogi
das Cruzes, que, em 1984, começou com o cultivo de begônia.
De cinco anos para cá, a empresa vem investindo na diversificação
de orquídeas cultivadas em 12 estufas. A área total é
de 20 mil m², contando também com um laboratório para
produção de mudas. Hoje, atuamos no atacado, no varejo
e no comércio virtual, conta Eduardo Haga, filho de Shitihiro
e gerente do empreendimento.
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História
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Há
inúmeras controvérsias sobre a verdadeira origem das
orquídeas, mas há quem acredite que ela tenha surgido
na Ásia. Uns dizem que essas plantas surgiram há 4
mil anos no Extremo Oriente. Mas também há referências
à flor na obra Enquiry Into Plants (Pesquisas sobre Plantas),
escrita por Teofrasto, um discípulo do filósofo Aristóteles,
há cerca de 300 anos Antes de Cristo, na Grécia. Isto
talvez explique o porquê dos gêneros e espécies
de orquídeas receberem hoje nomes em latim ou grego clássicos.
Essa nomenclatura permite que os orquidófilos do mundo todo
possam conversar sobre a planta sem causar confusão de espécies.
Os
gregos conheciam as orquídeas como orchis que,
por sua vez, significa testículo. O nome tem
lá suas razões. Eles atribuíam à orquídea
influência sobre a virilidade. Para os gregos, a planta era
semelhante ao testículo masculino e, por isso, acreditavam
que ela fazia bem à esta parte do corpo. No Japão,
o significado não é diferente. Lá, as orquídeas
também simbolizam a beleza feminina, o amor e a sabedoria.
A arte
sumi-ê, por exemplo, costuma associar a flor à simbologia
dos Quatro Nobres (o bambu, a ameixeira, a orquídea
e o crisântemo). Os mestres acreditavam que cada um desses
elementos possuía um significado diferente, mas que, ao se
juntarem todos, aparecia um maravilhoso conjunto de orientações
que compõem a essência que um homem precisa ter para
ser uma pessoa boa e justa, tanto para si como para a sociedade.
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| Influência
nikkei no cultivo do Brasil |
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A Associação
Orquidófila de São Paulo (AOSP) surgiu em 1967, fundada
por imigrantes japoneses. O surgimento desta associação
respondia, entre outras questões, à dificuldade que
tinham de se comunicar na língua portuguesa.
Um dos
objetivos de Futao Inoue, primeiro presidente da entidade, era semear
orquídeas no mundo inteiro. Uma semente de orquídea
leva de 5 a 6 anos para se transformar numa planta adulta e nos
oferecer uma formosa flor. Devemos também nos esforçar
para crescermos juntos," disse.
Em 1968,
aconteceu a primeira exposição da AOSP no Bunkyo de
São Paulo. A partir de então, a AOSP, organiza a sua
exposição, anualmente, neste mesmo local.
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| Relato
de cultivadores e admiradores |
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"Cultivo
há meio século. Quando tinha 11 anos, entrei em um
dos melhores colégios de São Paulo. Como prêmio,
ganhei algo que achei que fosse uma batata. Meus pais disseram que
aquilo era uma orquídea e que dar uma haste seria caro demais.
Só naquela batata ele pagou um salário mínimo,
que na época valia muito mais. Dali a dois anos, vi a primeira
haste florindo e aquilo foi o estopim para o meu interesse aumentar.
Em 2000, fizeram uma pesquisa no Japão, que mostrou que existem
mais de 1 milhão de orquidófilos lá e só
5 mil no Brasil. Achei um disparate muito grande. Mas agora parece
que isso está revertendo, que está diminuindo no Japão
e aqui aumentando. Em 2002, publiquei um livro pela Associação.
Ela já tinha publicado um livro sobre o assunto antes, que
não chegou a vender mil exemplares. Por isso, ela queria
poucos exemplares do meu, porque achava que não iria vender.
Continuei insistindo e acabei conseguindo uma tiragem de 5 mil exemplares.
Chegou na 2ª edição, com mais 5 mil exemplares,
que foram vendidos em um ano, e agora está na 3ª edição.
Isso mostra que tem crescido. Inclusive, revistas especializadas,
parece que tem quatro ou cinco hoje. Existem muitos tipos de orquídeas
que dá para adaptar mais fácil, como a Cattleya e
Dendrobium. O fator fundamental é manter a umidade necessária.
Muita gente perde planta porque esquece de molhar. É proibido
deixar a planta sem umidade. Já tentei contar duas vezes
quantas orquídeas tenho, mas parei no meio do caminho. É
algo em torno de 2 mil. Não tenho preferência definida
por nenhuma espécie, gosto de muitos tipos, como Cattleya,
Oncindium e Dendrobium".
Denitiro Watanabe, 70 anos, físico aposentado e autor
de "Orquídeas Manual de Cultivo"
"Há
seis anos, vi num jornal sobre um curso de orquídeas. Fiz
e gostei bastante. A partir daí, procurei outras especializações
e comecei a participar de exposições. Foi quando comecei
a ir na Associação. O pessoal incentiva bastante,
dá dicas. Quando trabalhava, só ganhava as plantas
e me perguntava como cuidar. Deixava a planta em um canto e ela
acabava morrendo. Começaram a me ensinar e eu comecei a querer
aprender. E passei a adorar! O interesse em orquídea [no
Brasil] é crescente. Quando comecei a cuidar, o pessoal já
gostava. Agora a coisa cresceu muito, tem muita coisa diferente,
muita coisa importada entrando. Antes era muito elitizado, era para
um grupo restrito, o pessoal rico. Começaram a entrar laboratórios
e vender mais por preços mais acessíveis. Hoje tenho
3 mil orquídeas na minha estufa. Fico o dia inteiro e às
vezes não dou conta. Todo dia venho na minha chácara
e até perco a hora. Gosto de uma que abre mais em junho,
julho, a Cattleya walkeriana. Tem algumas espécies cruzadas
que abrem mais de uma vez por ano, mas não acho tão
bonitas. Essa que gosto é muito cheirosa, e olha que não
gosto de perfume! Você vai definindo seu gosto e procurar
ter uma planta de acordo com o que pode cuidar e com o tempo que
tem pra cuidar. Para quem está começando, não
é bom acumular muita planta. Vá em exposição,
que tem palestras gratuitas, com orientação para plantar,
regar, onde colocar, como conservar. Não é trabalhoso,
mas tem detalhes: não pode deixar encharcada, você
deve adubar a planta, deixá-la em local iluminado e ventilado.
Enquanto estiver florida, pode deixar em qualquer lugar. Quando
já não estiver, não pode deixar no sol".
Elza Kawagoe, 51 anos, aposentada
Coleciono
pouca coisa, planto mais orquídea de ornamentação.
Quando estava em Piracicaba, no Centro de Energia Nuclear de Agricultura,
orientava um mestrando da Esalq (Escola Superior de Agricultura
Luís de Queiroz). E ele tratava da parte de orquídea
do Esalq. Ganhava alguns exemplares e foi assim que começou,
há 15 anos. Quando vim pra São Paulo, trouxe as plantas
e conheci a associação. Tenho de 10 a 15 mil orquídeas.
A maioria é espécie para decoração,
como a Miltonia. Ela abre mais vezes, não tem época
definida, a partir de setembro, outubro, e é híbrida.
As espécies favoritas são a Cattleya valkeriana e
a Sophonites coccinea. É preciso conhecer bem em que condições
na natureza determinada planta dá e fazer o possível
para ter essas condições na estufa. Normalmente, a
planta se adapta um pouco ao ambiente. Antigamente, o pessoal arrancava
do mato e, como não sabiam cultivar, 90% morriam".
Eiichi Matsui, 76 anos, pesquisador aposentado
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| Espécies
mais comuns |
| As
orquídeas dos gêneros Cattleya, Laelia, Oncidium, Miltonia,
Dendrobium, Vanda e Phalaenopsis estão entre as mais populares.
Confira, a seguir, alguns exemplos dessas flores. |
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Fotos:
Aosp
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Oncidium varicosum
(conhecida como Chuva de Ouro)
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Laelias purpuratas
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Cattleya nobiliors
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Espécie
rara
Paphiopedilum venustum
É
uma planta originária de Ásia. Existem exemplares
no Brasil, mas, segundo Elza Kawagoe, presidente da Associação
Orquidófila de São Paulo (Aosp), quem os tem mostra
apenas aos amigos. Não é comercializada em exposições,
somente entre orquidófilos apreciadores desse tipo.
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Curiosidade
Esta é uma das duas orquídeas plantadas em 2004 pelo
príncipe japonês Akishino, para comemorar o seu casamento.
É uma flor obtida por meio de cruzamento, batizada de Princesa
Kiko, nome de sua esposa.
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| Como
cuidar de sua orquídea |
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Para
ser considerada prefeita, uma orquídea deve seguir medidas,
formas, entre outros aspectos, de acordo com padrões estabelecidos.
Os colecionadores levam em conta esses requisitos na hora de escolher
sua planta. Contudo, a maioria das pessoas adquirem a flor considerando
apenas o seu gosto. Com tratamento adequado, a orquídea dará
sempre belas flores e durar por tempo indeterminado.
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A escolha
O ideal é adquirir uma planta com flor para evitar
surpresas. As plantas vendidas em orquidários são geralmente
híbridas e podem dar flores mais de uma vez por ano. As mais
vendidas são as que permanecem por mais tempo floridas
cerca de três meses.
Ambiente
Uma das recomendações mais importantes para o bom
desenvolvimento é colocá-la em um ambiente iluminado,
o que não significa a incidência direta de luz solar.
O local deve ser claro e bem ventilado. O vaso pode ser de plástico
ou barro.
Substrato
É a base onde onde a planta fixará suas raízes.
Com a proibição de corte e comercialização
do xaxim, tem-se buscado substratos alternativos, tais como fibra
de coco, musgo seco e mistura de casca de pinus com carvão.
A troca do suporte deve ser feita uma vez por ano.
Rega
No verão, a rega deve ser feita dia sim, dia
não, e, no inverno, a cada dois dias. É importante
observar se o substrato está realmente seco, caso contrário,
não é recomendável molhá-lo. Os jatos
dágua não devem ser fortes. Regadores podem
ser encontrados em orquidários profissionais.
Doenças
Folhas amareladas podem indicar doença. Nesse
caso, é bom consultar um profissional. Se aparecerem cochonilhas
(pontinhos brancos) ou pulgões (bichinhos esverdeados), usa-se
uma escova de dentes e sabão de coco para limpar o local
infestado. Depois, deve-se enxaguar com água corrente e jogar
canela em pó que age como repelente.
Adubo orgânico
Feito de farinha de osso e torta de mamona, deve ser
colocado na quantidade equivalente a uma colher de café no
canto do vaso a cada três meses. É preciso sempre prestar
atenção, pois esse adubo acelera o apodrecimento do
substrato. É encontrado em orquidários.
Adubo solúvel
Também vendido em orquidários, o cliente
deve solicitar o adubo ideal para a fase da planta (adubo de floração,
por exemplo). A aplicação deve ser feita a cada 15
dias com um pulverizador ou bombinhas de água. A medida é
1 colher de café para um litro de água.
Fungicida
Por ser um produto tóxico, os especialistas
recomendam o uso de fungicida apenas sob a orientação
de um especialista, para evitar incidentes leves ou graves, inclusive
com os vizinhos.
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Fonte:
Elza Kawagoe, presidente da Associação Orquidófila
de São Paulo
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