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Caderno Entrevista

“Brasileiros precisam tomar uma atitude mais dinâmica”
Para Takaharu Hayashi, números do desemprego mostram discriminação
 

(Reportagem e Foto: Helena Saito / ipcdigital.com)

A maioria dos demitidos vítimas da crise econômica no Japão trabalhava no sistema de haken shain – ou seja, eram terceirizados com contrato de temporário. Cerca de 150 mil funcionários estavam empregados dessa forma, dos quais a maior parte era composta por estrangeiros. Entre os japoneses, apenas 0,06% da mão-de-obra é terceirizada.

Para Takaharu Hayashi, esses números mostram discriminação. Ele é proprietário da empreteira Avance e fundador da NPO Koryu Net, que, desde 2002, ajuda estrangeiros no trabalho e no cotidiano. Ele critica a falta de medidas aos estrangeiros por parte do governo central e espera atitude mais dinâmica dos brasileiros diante da negligência.

Quem é Horisaka
Takaharu Hayashi, 58, nasceu em Kakamigahara (Gifu). Atua na colocação de estrangeiros, principalmente brasileiros, há 30 anos. Sua empreiteira, a Avance, tem sede em Ichinomiya (Aichi). Há seis anos, criou a NPO Koryu Net.
 
Entrevista com Takaharu Hayashi

Quais foram as reivindicações feitas no dia 1º de fevereiro?
Takaharu Hayashi:
São três pontos: moradia, apoio à busca de empregos e educação das crianças estrangeiras. Agora, a intenção é submeter a proposta às autoridades de diversos setores do governo, como o Ministério do Trabalho. Estamos também organizando um abaixo-assinado. Já conseguimos 5 mil assinaturas. Uma das metas é tornar evidente a presença da comunidade estrangeira aos japoneses. Na minha opinião, os brasileiros têm feito muita cerimônia diante da situação crítica. O índice de demissões pode chegar a 80%, enquanto entre os japoneses não deve passar de 0,06%. Isso para mim é, sem dúvida, uma discriminação. Mesmo diante dessa absurda circunstância, os brasileiros se mantêm passivos.

Por que acha que os brasileiros mantêm essa postura?
Hayashi:
Eles estão sendo aproveitados pela sociedade japonesa. Se, por exemplo, realizarem passeatas e isso for divulgado em jornais e TVs, a preocupação com a demissão deles pode aumentar. As empreiteiras não têm nenhum interesse que os brasileiros fiquem bem informados, criem união e sejam solidários. Se tomarem conhecimento de regulamentos japoneses, eles ficarão espertos e podem causar inúmeros problemas. Essa é também a razão pela qual as empreiteiras se mudam para diferentes locais.

Como fica a situação dos trabalhadores que são contratados apenas como haken shain?
Hayashi:
Os brasileiros podiam ser efetivados, mas os empregadores japoneses não querem se relacionar diretamente com eles. Isso também é visível na hora de alugar apartamentos. O Japão quer os nikkeis para trabalhar ou ter moradia por intermédio de uma empreiteira (haken gaisha), principalmente as empresas japonesas. Para amenizar o número de demissões, o governo japonês decidiu dar um subsídio de ¥ 1 milhão por pessoa que a empresa tenha efetivado, algo inaplicável aos estrangeiros, que tampouco têm o treinamento profissional direcionado a desempregados que recebem o seguro-desemprego. Muitos brasileiros não recebem esse benefício e não sabem desse direito. Mesmo que não tenham sido contribuintes do seguro social, se as empreiteiras pagarem os meses retroativos, eles teriam esse direito.

E quanto à situação educacional, que tipo de apoio o senhor quer?
Hayashi:
Nos preocupa a evasão escolar das crianças brasileiras. Em Gifu, quase 200 crianças deixaram escolas brasileiras, mas são poucas as que se transferiram às escolas japonesas. Sabemos que a educação de todas crianças e adolescentes na fase escolar (de 7 a 14 anos) é obrigatória de acordo com a constituição japonesa. A obrigatoriedade de estudo é um direito humano, mas, enquanto os estrangeiros não tomarem uma iniciativa para lutar por esse direito, a sociedade japonesa não vai fazer nada.

E quanto à recolocação em empregos, como seria?
Hayashi:
O programa para entrada de nikkeis no país para suprir a indústria não deveria mais ser aplicado nos dias de hoje. Em Minokamo (Gifu), por exemplo, foi realizada uma feira de empregos na qual compareceram 800 brasileiros para cerca de 15 vagas. Isso mostra a falta de demanda. Um problema que ficou evidente para a contratação dos estrangeiros é o de não falar japonês. Isso é culpa do governo, que não tem estrutura para ensinar o idioma. A Alemanha não permite a contratação de estrangeiros se a empresa não garantir estudo de 600 horas da língua alemã. Está na hora de o Japão elaborar uma medida para aceitar estrangeiros com visto permanente (eijuuken).

Mas e os cursos de língua japonesa oferecidos gratuitamente por NPOs e pelas prefeituras?
Hayashi:
Faltou o governo transformar isso em regra. Por exemplo, para renovar o visto, poderia ter sido estabelecida a obrigatoriedade de 200 horas de aulas de japonês. No início de aprendizagem de qualquer assunto, nada é interessante, por isso é necessário estabelecer uma obrigatoriedade. Para os meus funcionários, foi realizado um curso de japonês nas dependências da fábrica Murata.

O que o senhor propõe na questão de moradia?
Hayashi:
Em Aichi, foram liberados apartamentos públicos no final do ano, mas direcionados aos japoneses. No Homi Danchi de Toyota, não foi liberado nenhum, apesar de haver 380 apartamentos vazios. Isso porque a Associação dos Moradores (jichikai) era contra a entrada de estrangeiros nesses apartamentos. Esse procedimento é observado em tudo que o governo japonês faz, mas não é enfatizado na mídia local.

Para a solução desses problemas, o senhor tem algum projeto prático?
Hayashi:
Sim. Gostaria de criar um modelo que necessitaria de atuação intensa das fábricas. Se um empregado é demitido após oito anos de trabalho, por exemplo, teria meio ano para que fizesse um curso de aperfeiçoamento profissional para elevar seu nível técnico. Nesse caso, seria necessário subsídio do governo. Para não interromper a relação empregado-empregador, proponho criar uma fundação ou uma organização controladora (zaidan) que receba ajuda financeira ou investimento de fabricantes como também do governo. Eu, particularmente, vou investir ¥ 100 milhões.

O que espera dos brasileiros para o funcionamento desse projeto?
Hayashi:
A realidade é que eles não têm esperança em trabalhar sem o intermédio das empreiteiras. Aqueles mais capacitados, por exemplo, saíram dos conjuntos habitacionais, não voltam e não fazem nenhuma atividade em prol dos brasileiros.

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